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Segunda edição de uma mostra absolutamente sui generis: TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares.

Aconteceu pela primeira vez em 2015. É uma iniciativa do Arquivo Municipal de Lisboa e consiste na apresentação pública de filmes – a maioria de amadores e de curta duração –, que estão depositados na videoteca e que registam momentos do quotidiano dos portugueses, feitos em contexto familiar.

A segunda edição da mostra acaba de decorrer no Bairro da Madragoa, tendo já sido apresentada como forma de dar início à recolha de mais filmes, que servirão de base para a programação.

Na edição deste ano, que incluiu a participação de destacados conferencistas, destaca-se o envolvimento de organizações como o Alkantara – que desenvolveu um programa no âmbito da performance – e a Cossoul, bem como a integração de espaços como o Museu da Marioneta, o Instituto Hidrográfico e o Vendedores de Jornais Futebol Clube.

A frescura do conceito é notável. A pertinência, total. O modo como o TRAÇA produz cidade é surpreendente – como à Rua da Esperança, um filme sobre uma loja que já não existe, apresentado precisamente na montra que em breve albergará outro tipo de estabelecimento.

Como se lê algures no programa, estas imagens não podem ser simplesmente vistas como ilustração de um real pré-existente, mas como pretextos para nos aguçar os sentidos, desenvolvendo inusitadas virtualidade da memória. «A nova bíblia será a eterna cassete de banda magnética de um tempo que terá de se voltar a ler constantemente só para saber que existiu», afirma Chris Marker no catálogo.