“Ao reivindicar ser exclusivamente contemporânea enquanto género, época, técnica, processo e linguagem, rompendo com o passado, muitas vezes em guerra contra o moderno em particular (a dança contemporânea, a Documenta de Kassel), a arte contemporânea não promete nada. Ao contrário das vanguardas, que rompiam mas prometiam outro futuro, outra medida, a arte contemporânea, por absoluta necessidade de afirmação, enreda-se em si própria ou, para ser mais preciso, e convocando a reflexão que António Guerreiro tem trazido a este debate, “o sistema de arte contemporânea e as suas figuras e instituições (as galerias, os museus, os centros de arte, as bienais)”. Foi esta eleição a uma categoria estética e a um género artístico onde qualquer acto desde que realizado no campo artístico é artístico — comer, assistir a vernissages, frequentar as festas das bienais e das feiras de arte — que transformou a arte contemporânea num campo onde tudo é semelhante, toda a actividade é homogénea, que nega a existência de um campo exterior seja ele a crítica ou a estética e funciona em pleno para o grande mercado. E aqui é fulcral referir Nicolas Borriaud, o grande defensor desta arte contemporânea auto-referencial que se mesmizou e que depende apenas de uma estética relacional e globalizante.”

A  opinião de António Pinto Ribeiro no jornal Público de 19 de Outubro. Ler +:aqui.