O texto é de Delfim Sardo no Público de ontem.

“O que é manifesto (…) é que não existe, por parte do Estado, qualquer política museológica, como também não existe nenhuma política para as colecções públicas, mormente as de arte moderna e contemporânea. Não que essa ausência seja surpreendente: em nenhum campo da cultura este governo deixa qualquer marca positiva, legando situações pantanosas na Direcção Geral das Artes, no Museu do Chiado, no Museu dos Coches. A respeito deste último, o caso é, aliás, extraordinário: o que abriu no edifício desenhado por Paulo Mendes da Rocha não é um museu. É uma garagem para coches, tão excitante como qualquer garagem recheada com veículos luxuosos, mas é só isso. Claro que isto não tem nada a ver com a qualidade do edifício (que poderia ser objecto de outro debate), mas com o facto de um museu ser um serviço de disponibilização pública, preservação e estudo de uma colecção, activando os processos de mediação com o público que forem adequados, quer em termos da experiência pública, quer em termos mais estritamente educativos e de interpretação. Assim, um museu sem museografia não é um museu, é um armazém. Não se abre, portanto, nestas condições, porque se está a vender gato por lebre.”

Vale a pena ler na íntegra aqui.