Nota

Esta breve nota prévia assinala em primeiro lugar a circunstância feliz de uma das primeiras edições académicas da Escola Superior de Artes e Design das Caldas ter origem numa dissertação de mestrado em Gestão Cultural.
A sua autora, Maria Isabel Xavier, concluiu em 2012 este ciclo de estudos com uma investigação sobre a forma como instituições portuguesas que operam na musealização e programação das artes contemporâneas contribuem para a formação de uma esfera pública. O júri das provas públicas saudou o estudo realizado, sublinhou a actualidade do objecto e premiou o respectivo mérito. A orientação cientifica coube à professora da Esad, Luísa Arroz Albuquerque.
O ensaio elaborado por Maria Isabel Xavier parte de um inquérito à actividade de algumas das mais relevantes instituições que gerem colecções de artes contemporâneas numa lógica pública, isto é, contribuindo para a atracção, formação e densificação de públicos. É apoiado por um sólido conhecimento da bibliografia mais relevante sobre o conceito de espaço público ou esfera pública, tal como tem sido formulado pela filosofia política e pelas ciências da comunicação.
O domínio de reflexão escolhido não podia ser mais pertinente. Convoca, por um lado, os sistemas de mediação, hoje pluridimensionais, combinando de forma não linear planos e dimensões comunicacionais e simbólicas. Regista, por outro lado, profundas e rápidas mudanças, de que porventura a mais significativa se corporiza na dissociação entre espaço e tempo e a emergência de espaços e tempos virtuais. É um domínio que interessa à cidade e à democracia, pois que ambas se ressentem de mudanças que alteraram o entendimento da relação individual-social, privado-público, comunidade-cidadão.
Particularmente inovadora é certamente a linha de abordagem proposta, centrada no entendimento que as instituições que promovem a arte contemporânea têm das suas responsabilidades neste campo complexo de futuro incerto.
Para uma escola como a Esad, agora a celebrar um quarto de século de existência, esta oportunidade de trazer a público o que de mais estimulante tem produzido na investigação, na problematização, na critica, não podia ser desperdiçada.
À sua escala, esta edição celebra a vitalidade do projecto que com empenho, trabalho e sentido estratégico tem sido prosseguido ao longo dos 25 anos da escola.

João B. Serra
Prof. Coordenador da Esad

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