A conclusão da conferência do Expresso realizada em Évora dedicada ao tema da cultura em Portugal, define a falta de financiamentos, novos modelos de gestão, a clarificação de obrigações e o desenvolvimento sustentável como estratégicos para o sector cultural em Portugal.

A notícia de Alexandre Carita no Expresso d 9 de Novembro pode ser lida aqui.

Deixamos um excerto:

“De que falamos quando falamos de Cultura? A pergunta é velha mas sempre pertinente e crucial para percebermos a dimensão da importância que a cultura tem nas nossas vidas. E foi pela sua definição que a Conferência do Expresso em Évora teve início. “Cultura é o que nos distingue dos demais. É a única capacidade de sermos algo mais dos que animais irracionais e aquilo que nos permite sobreviver enquanto espécie.” A primeira definição do conceito que o termo encerra é de Guta Moura Guedes, aqui na posição de oradora. “A cultura é tudo o que nos ultrapassa associado a uma componente ética, de comunicação, de descodificação do mundo e de conhecimento. É o que construímos como sociedade e a forma como nos relacionamos uns com os outros”, continua a diretora da ExperimetaDesign.

Este ponto de partida leva a que António Filipe Pimentel frise a necessidade cada vez mais premente de Portugal olhar para a cultura como um bem que não sobreviverá à história e ao tempo se não nos apressarmos a desenvolver uma estratégia cultural sólida e continuada para o país. O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga defende que a identidade de cada português passa pela cultura e que “enquanto assim não o entendermos, não conseguiremos ser um país verdadeiramente desenvolvido”.

Com uma história rica, um património valioso e um potencial enorme quer a nível do edificado (e Évora é prova disso) quer a nível artístico, falta uma visão política da cultura para que se “consiga provar que a cultura pode significar desenvolvimento para a comunidade”, diz Cláudio Torres, arqueólogo responsável pelo Campo Arqueológico de Mértola e prémio Pessoa 1991. Rui Vieira Nery vai mais longe. O diretor do Programa de Língua e Cultura Portuguesa da Fundação Gulbenkian considera que o “direito à cultura é uma obrigação do Estado”. Para Nery, a prestação de um serviço público no que respeita à cultura é uma responsabilidade estatal exatamente igual aos serviços públicos prestados em áreas como a justiça, a saúde ou a educação.

“Mas cabe ao Estado fazer tudo? Não. Primeiro porque não é capaz de o fazer e isso poderia levar a uma situação totalitária, o que significaria o contrário da criatividade plural”, lança para a mesa de debate o ex-secretário de Estado da Cultura.  ”