Destaque para a crónica de Pedro Mexia na Revista Atual do Expresso de hoje sobre o relativismo , por ocasião da morte de Raymond Boudon (a ler aqui, em exclusivo para assinantes). Deixamos um pequeno excerto:

“Boudon compreende as dúvidas face ao conhecimento, aceita a incerteza quanto às normas e valores, mas, ainda assim, não acredita que tudo se resuma a um fenómeno de mistificação e de “falsa consciência”. Por mais que os antropólogos nos ensinem que a experiência humana contém uma infinidade de costumes, também conseguimos detectar contiuidades e permanências. Por exemplo, todas as sociedades têm reras de cortesia, embora essas regras variem muito: “(…) o significante e o significado mantêm aqui uma relação arbitrária: nada determina que, por exemplo, a cortesia se deve exprimir de tal modo em vez de outro. Neste caso e apenas neste caso, podemos legitimamente invocar a existência de um arbirtrário cultural”. Um arbitrário que exprime uma constante, a qual relativiza o relativismo.

Estes reparos, que fazem sentido para uma sociedade, são insuficientes para um indivíduo. Percebo aqueles que temem o perspectivismo, a desconstrução, o niilismo, e que exigem uma “fundamentação” das nossas convicções. Mas o “esplendor da verdade” não existe, para cada um nós, fora da consciência individual (…)”.