O panorama desolador das Artes e da Cultura em Portugal

“O Estado e as famílias portuguesas gastam em cultura menos do que a média da Zona Euro. No Orçamento do Estado para 2013, a verba inscrita para o programa de Cultura equivale a 0,1% do PIB. A comparação com outros países também não favorece Portugal. Segundo o Eurostat, em 2010 – o último ano para o qual existem dados para comparação europeia – a despesa com Cultura representava 0,5% do PIB, ligeiramente abaixo da média da Zona Euro (0,6%). A diferença face aos números do OE está relacionada com uma análise de universos diferentes, mas também com a entrada em vigor dos programas de austeridade.
Os portugueses apresentam também níveis de participação cultural muito baixos. Num inquérito do Eurostat feito em 2007, Portugal tinha a maior percentagem de pessoas que não tinha lido um único livro nos 12 meses anteriores e a segunda maior de pessoas que não folhearam um jornal, apenas atrás dos italianos. O número de ecrãs de cinema por habitante surge também abaixo da média, bem como as idas ao cinema, onde só Estónia e Chipre têm dados piores. Segundo o Eurostat, 31% dos portugueses tinha ido ao cinema no último ano. A média da UE? 48%.
Pedro Mexia defende um Estado com presença limitada na sociedade. Contudo, no que diz respeito à Cultura, considera que o problema é o contrário: “Uma sociedade civilizada apoia as artes”, aponta. “Este orçamento da Cultura é ridículo.”
No mercado de trabalho, o cenário é feito de contradições. Apesar de Portugal ter a percentagem mais baixa da Zona Euro de trabalhadores no sector cultural e criativo (0,9%), está bastante acima da média no número de estudantes universitários que seguem jornalismo, artes ou arquitectura. A crise e as necessidades de consolidação orçamental podem empurrar a Cultura para segundo plano. No entanto, os dados do Eurostat mostram que o sector cultural e criativo contribui com 1,4% do PIB para a economia portuguesa, não muito longe dos 1,9% da indústria têxtil, por exemplo.

 Negócios Online, 31 de Janeiro de 2013, Diogo Cavaleiro